Por João Pedro Pitombo, Folha de São Paulo
Ao menos 25 barragens espalhadas por oito Estado brasileiros estão com estrutura comprometida e precisam de reparos para evitar danos em possíveis acidentes.
O diagnóstico faz parte do Relatório de Segurança de Barragens 2016 da ANA (Agência Nacional de Águas), obtido pela Folha. Esse é o primeiro relatório feito após o desastre da barragem da Samarco, em Mariana (MG), que resultou no maior desastre ambiental do país e deixou 19 mortos em Mariana (MG).

Para identificar as barragens com problemas, a ANA ouviu 43 órgãos de fiscalização estaduais e federais. Destes, nove responderam e apontaram 25 barramentos com danos estruturais que afetam a segurança.

FISCALIZAÇÃO
Essas 25 barragens sob risco são apenas uma pequena fatia dos barramentos do país. Segundo o relatório da ANA, há ao menos 22.920 barragens localizadas por imagens de satélite no país. Mas órgãos fiscalizadores não têm informações suficientes sobre 18.593 delas, para que sejam incluídas na lei de 2010 que estabelece a Política Nacional de Segurança de Barragens.
A lei vale para barragens com altura maior ou igual a 15 metros, que têm capacidade igual ou maior a três milhões de metros cúbicos e que possuem reservatório com resíduos perigosos ou têm dano potencial médio ou alto.
A legislação recente sobre a segurança de barragens aliada à falta de estrutura e orçamento dos órgãos de fiscalização resultam num cenário de desconhecimento.
Em muitos casos, nem sequer o responsável legal pela barragem é identificado.
Segundo a lei, os agentes privados ou públicos com direito sobre as terras onde está a barragem são os responsáveis pela segurança. Desta forma, somente em 3.174 barragens é possível aplicar os instrumentos legais e garantir a completa fiscalização.
“É um processo que não é simples, mas estamos numa curva ascendente. A cada ano aumentamos o número de barragens identificadas”, diz Fernanda de Aquino, coordenadora de regulação de segurança de barragens da ANA.
Apesar de engatinhar, a lei de segurança de barragens é vista como marco na regulamentação do setor. Um marco legal que ganhou impulso com o desastre em Mariana.
Presidente do Comitê Brasileiro de Barragens, Carlos Medeiros diz que o desastre de Mariana “fortaleceu a vontade de fazer com que a legislação funcione” e afastou empresas despreparadas.

Deixe um comentário