Diante das declarações do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro de que o presidente Jair Bolsonaro tenta interferir no comando da Polícia Federal, a bancada do PSB na Câmara se movimenta para que ele compareça ao Parlamento para prestar esclarecimentos.
A Legenda também decidiu que entrará com o pedido de impeachment contra o presidente da República por considerar que ele não respondeu de forma convincente a nenhuma das acusações.
Líder do PSB na Câmara, o deputado Alessandro Molon (RJ), disse em suas redes sociais estar claro que Bolsonaro demitiu o chefe da Polícia Federal para frear as investigações que avançam sobre seus filhos, e que ele nunca quis o fim da corrupção. Além disso, o socialista afirmou que o presidente da República só trabalha em prol da própria família e da reeleição.
Enquanto isso, o Brasil continua sem governo. Molon afirmou também que é lamentável iniciar um processo de impeachment no meio de uma crise tão grave da Saúde no Brasil, que já deixou mais de 3 mil brasileiros mortos.
“Infelizmente, considerando os crimes cometidos pelo presidente, e considerando que nossa omissão poderia tornar os efeitos da crise ainda mais graves, não há outra saída.” Para o presidente do PSB, Carlos Siqueira, o estrago político causado pela demissão está feito e dará cores vivas ao cenário do impedimento, que já tem seus contornos absolutamente visíveis no horizonte.
CPI – O deputado Aliel Machado (PR) apresentou o primeiro pedido para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as afirmações de Moro, de que houve a tentativa de interferência do presidente da República para fins pessoais, na tentativa de proteger a si mesmo e sua família de eventuais investigações criminais.
Aliel citou em sua justificativa relato do ex-ministro de que a exoneração do ex diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, não se deu da forma que foi publicada em Diário Oficial, sem o seu aval inclusive. “Tal fato também pode ser considerado crime de Responsabilidade com os avanços das investigações da CPI”, acrescentou.
Danilo Cabral (PE) apresentou pedido à Procuradoria Geral da República (PGR) para que investigue Bolsonaro após as revelações de Moro. Ele questionou o fato de no meio de uma epidemia que matou 400 brasileiros ontem, o presidente trocar o comando da Polícia Federal. Ele considera que a entrevista de Moro deixou clara a intenção de Jair Bolsonaro ao realizar a troca na instituição: ter ingerência sobre investigações e acesso a informações privativas.
O deputado Camilo Capiberibe (AP) apresentou Requerimento para que Moro participe de Comissão Geral na Câmara, onde deve tratar das acusações feitas durante a coletiva de imprensa em que anunciou sua saída da Pasta. “O ex-ministro afirmou que o presidente gostaria de ter acesso a informações privilegiadas de operações da Polícia Federal e que a indicação do novo diretor-geral da Polícia Federal teria cunho de indicação política”, lembrou.
Ex-líder do PSB, o deputado Tadeu Alencar (PE) se manifestou pelas redes sociais e disse que Moro pôs o dedo na ferida quando saiu da pasta ao alegar interferência política. Ele lembrou que quando juiz, o ex-ministro participou de um projeto de poder, mas que agora prestou um serviço ao escancarar diversos crimes de responsabilidade do presidente da República.
Para o deputado João Campos (PE), por mais que a atuação de Sergio Moro a frente do Ministério da Justiça tenha sido apagada, o seu peso político na formação do governo é inegável. Agora, ao descarta-lo, demonstra ter medo da própria sombra. “A irresponsabilidade e paranoia do presidente e seus filhos são uma fábrica de crises preocupantes para uma nação já combalida pela hecatombe sanitária, econômica e social que estamos passando”, criticou.
A deputada federal Lídice da Mata (BA) afirmou que a saída de Moro coincide com o “forte ataque” do vereador Carlos Bolsonaro ao trabalho da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) da Fake News nessa semana, assim como o pedido do deputado federal Eduardo Bolsonaro ao STF para que a CPMI seja suspensa. “Eles tentaram criar uma cortina de fumaça em uma investigação que poderia chegar até eles”, disse Lídice. Para Cássio Andrade (PA), Sérgio Moro sai do governo fazendo graves acusações e deixando uma suspeita que precisa ser apurada.
“O presidente precisa explicar as acusações feitas pelo ex juiz Moro. Este episódio se torna ainda mais lamentável por ocorrer em um momento que estamos vivendo uma grave crise, em função da pandemia do coronavírus e dos resultados negativos da economia. A saída de Moro agrava a crise institucional.”
Segundo o deputado Júlio Delgado (MG), a saída de Moro do Ministério demonstra claramente que o governo Bolsonaro passa por sérios problemas, como se já não estivéssemos passando por problemas suficientes com a pandemia do coronavírus. “O Moro demonstra claramente que as investigações da Polícia Federal chegam muito próximo da família Bolsonaro. Deixam essa questão em aberto, com a exoneração do diretor-geral que estava fazendo as investigações”, alertou.
Por: Moreno Nobre
Foto: Lula Marques
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