Oxaliplatina, doxorrubicina, ifosfamida, ondansetrona, hidroxiureia e tamoxifeno são remédios para tratar o câncer. Eles estão faltando na Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) do Hospital de Clínicas Dr. Alberto Lima (Hcal), no Centro de Macapá, segundo pacientes.
Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) informou que está na fase final do processo de compra da oxaliplatina e que haverá a aquisição de 880 frascos desse medicamento para garantir o abastecimento da rede por, no mínimo, 6 meses. A Sesa informou que avisará aos pacientes assim que chegarem os produtos.

A presidente do grupo denominado Pacientes Oncológicos Unidos pela Vida e pelo Amor (Pouva), Léa Learte, de 43 anos, tem câncer de mama e precisa de remédios para o tratamento. Ela contou que o tamoxifeno não é disponibilizado na farmácia da Unacon desde janeiro, há cinco meses.
Além da falta de remédios, ela disse que não são realizados os exames de raio-x há mais de um ano e que pacientes oncológicos, do grupo de risco em relação ao novo coronavírus, não são isolados de pacientes com Covid-19 dentro do Hcal.

A falta de manutenção do banheiro, que possui porta e sanitário danificados na unidade, é outro problema relatado por ela.
Não é a primeira vez que pacientes reclamam da falta de medicamento para dar continuidade às sessões de quimioterapia. Em março de 2019 a categoria sofria com a ausência dos produtos no estoque.
“Fui diagnosticada com câncer de mama desde 2017 e sempre foi uma luta para conseguir avançar o tratamento na rede pública estadual. Já vi muitos companheiros morrerem porque tiveram que parar o tratamento por falta de medicamentos para as quimioterapias. Os governantes precisam lembrar que a Covid-19 não acabou com as outras doenças como o câncer”, reclamou Léa.

O músico Edivagno Fernandes, de 41 anos, foi diagnosticado com a doença no estômago, há quase três meses. Ele disse que precisa realizar 8 sessões de quimioterapia com oxaliplatina, mas há duas semanas o medicamento está faltando na Unacon. Ele afirmou que o tratamento não pode parar, por isso tenta encontrar alternativa para a situação.
“Na rede privada, esse medicamento é vendido em um kit que custa cerca de R$ 9 mil para realizar apenas uma sessão. Entramos com uma ação no Ministério Público Federal [MPF] para que o governo cumpra a responsabilidade dele de garantir o tratamento para mim e para todos aqueles que necessitam”, falou Fernandes.

Texto: Caio Coutinho/G1 AP
Imagem destacada: G1 AP
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